Seu(sua) filho(a) não quer estudar de jeito nenhum?

O que fazer?

Esta deve ser uma das perguntas mais antigas no que diz respeito à educação formal das crianças. Temos que ter aprendido algo após as longas décadas lidando com esta questão. E as conclusões são…

… Bem, não sei ao certo. Esta é uma pesquisa que eu mesma estou apenas começando. Não sou psicóloga, orientadora pedagógica, ou teórica da educação. Apenas mãe. Assim como você, não tenho uma fórmula mágica de como fazer seu(sua) filho(a) se interessar por estudos. Mas não significa que não tenho nada a dizer. De fato, tenho pensado muito sobre este assunto nos últimos tempos, e pensei em reunir aqui algumas dicas/ideias que tenho tentado estabelecer/levantar para conseguir alcançar o temível objetivo de como fazer o meu filho gostar de estudar. Não garanto que irá funcionar para você, pai ou mãe lendo este blog, mas fica aqui o registro das minhas tentativas pessoais.

Antigamente, os alunos pareciam mais aplicados, mas creio que muitos deles estudavam mais por medo de serem castigados se fossem reprovados do que qualquer outra coisa. Os tempos mudaram, evidentemente, e ninguém mais imagina punir os filhos de forma tão severa como naqueles tempos, com o uso de castigos físicos e/ou psicológicos. Hoje nossa preocupação evoluiu para compreendermos melhor nossos filhos e a nós mesmos, para entendermos e aplicarmos os princípios da educação como fonte de crescimento humano em direção à formação de um indivíduo atuante em nossa sociedade.

É maravilhoso viver numa era onde existe a internet, uma revolução fantástica da informação. Mal consigo pensar como conseguia viver sem ela antes. Por outro lado, o fluxo de informações é enorme e nos compele, sem o devido cuidado, a adquirir apenas um conhecimento geral e superficial das coisas, com forte tendência a nos habituarmos cada vez mais à dispersão e ao desenvolvimento de um tempo curto de atenção. Com a revolução da informática, o mundo inunda as nossas crianças, a todo instante, com inúmeras coisas fascinantes, tais como jogos eletrônicos cada vez mais realistas, internet, filmes, propagandas de inúmeros produtos, etc. O mundo realmente mudou, e às vezes é difícil para as crianças deixarem de lado “as coisas fascinantes” para se voltarem aos livros e tarefas, que são atividades que exigem atenção, dedicação, tempo longo de focalização e raciocínio.

A escola do meu filho tem feito um esforço muito louvável de passar dicas e métodos de estudo aos alunos, e creio ser da maior importância. No entanto, cabe também aos pais acompanharem seus filhos, e detectarem precocemente essa “falta de vontade” de estudar, de forma a tentarem modificar essa tendência, para que seus filhos não caiam numa “espiral negativa”, tornando cada vez mais difícil os estudos.

São dicas a seguir muito gerais, que visam apenas quebrar uma barreira inicial. São apenas alguns princípios para “preparar o terreno”. Não são uma metodologia de estudo. Com o aviso dado, desejo boa sorte aos pais, e caso vocês tenham sucesso com esta abordagem, ficaria feliz em saber!

1) O valor do seu(sua) filho(a), o valor de ouvir.

É claro que seu(sua) filho(a) é tudo de mais importante para você. É claro que ele(a) sabe disso. No entanto, creio que às vezes é fundamental explicitar um pouco isto, através de uma coisa simples chamada “ouvir”. Numa primeira abordagem sobre a questão dos estudos, chame seu(sua) filho(a) num canto tranquilo e diga que quer conversar com ele(a) uma coisa muito importante. Neste momento, você *não* vai brigar com ele porque ele não estudou, ou porque ficou de reperação, etc. Este é um momento para estabelecer ou reinforçar um laço de confiança mútua, um canal de comunicação, que sempre precisa estar aberto. Perder confiança e/ou comunicação é a pior coisa que pode acontecer entre pais e filhos.

Só converse as coisas importantes com o(a) seu(sua) filho(a) sempre e somente olhando “olho-no-olho”. Expresse seu amor por ele/ela da maneira mais pessoal e sincera que vem de você. Deixe claro o quanto ele(a) tem valor e lhe é importante. Diga que tem muito interesse sobre as coisas que ele(a) gosta. Conversem sobre algo que ele(a) fez recentemente, por exemplo, um movimento radical no skate, um filme que viu, um nível difícil de algum jogo, algo que aconteceu na escola, etc. Sempre tenha um tempo para o(a) seu(sua) filho(a). Ouça-o(a) para que ele(a) aprenda com seu exemplo: ouvir-lhe.

2) Quebrar ciclos viciosos, repensar.

Tentar fazer seu filho estudar com regularidade envolve uma batalha diária. Há sempre uma enrolação, argumentos, algum ciclo vicioso que torna a simples atividade de sentar na escrivaninha e abrir o livro, só para começar, uma guerra. Uma ideia seria não chegar nessa “zona vermelha”. Ou seja, fazer algo antes, algo para “quebrar o ciclo” que envolve esta batalha diária. É necessário um trabalho anterior. Existem várias possibilidades. Uma delas é a seguinte.

Pergunte ao(a) seu(sua) filho(a), num momento descontraído, quais as matérias que ele(a) mais gosta, e as que menos gosta. Pode ser que ele(a) diga que “não gosta de nenhuma”. Pergunte por que não gosta de estudar ou fazer tarefas. Provavelmente ele(a) vai dizer que “é chato demais”. Pergunte por que ele(ela) acha que você cobra dele(a) os estudos. Provavelmente ele(a) vai responder que é porque você diz toda hora que é para o “bem dele(a)”, para o “futuro”, para conseguir “um bom emprego quando crescer”, etc. Ou uma resposta mais dura do tipo (simplesmente) “porque você me força”.

Talvez você já tenha feito estas perguntas e as respostas não são nenhuma novidade para você. O que importa aqui, está claro, é quebrar o ciclo da argumentação, repensar, junto com o(a) seu(sua) filho(a) por que, antes de mais nada, ele(a) precisa estudar.

Pergunte a ele(a) se ele(a) pensa o mesmo que pensava há 2 anos, ou se gosta dos mesmos jogos/brinquedos. O mesmo para 4, 6 anos atrás… É claro que não. E no futuro? Será que vai pensar o mesmo daqui a 2, 5, 10 anos? Pergunte o que ele(a) seria hoje se tivesse parado de estudar aos 6 anos de idade. Se ele(a) não se impressionar muito com esta questão, pergunte a ele(a) o que ele(a) acha que o pai ou a mãe seriam se tivessem parado de estudar na idade dele.

Uma estória interessante é a seguinte. Em todo o universo, há bilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas, muitas delas com planetas circulando em sua volta. O universo já tem bilhões de anos e terá (provavelmente) bilhões e bilhões de anos a seguir no futuro. Nosso pequeno planeta, perdido nessa imensidão, tem hoje bilhões de pessoas, e bilhões de outras pessoas já viveram vidas inteiras e já morreram, e (espera-se!) bilhões de outras estão por nascer e viver. O fato é que nunca houve e nem haverá ninguém, em nenhum lugar do universo, em nenhum outro momento do tempo, como cada um de nós. Somos apenas uma poeirinha no universo e um suspiro no tempo. Mas por sermos tão únicos, somos insubstituíveis, e exatamente por isso, somos muito importantes, do nosso próprio jeito.

Respeite as particularidades do(a) seu(sua) filho(a). Mostre para ele(a) como ele(a) é importante do jeito que ele(a) é. Não o compare com outros, mas mostre os exemplos positivos de dedicação apresentados por outros. Que sempre podemos ser vitoriosos quando nos esforçamos o suficiente. Que estudar é a única responsabilidade dele(a) como criança, e é o que vai permitir a ele(a) explorar tudo o que ele(a) quiser ser e fazer na vida. E que mesmo que pareça chato hoje, mais chato vai ser querer participar de tantas coisas fascinantes que o futuro reserva e não puder simplesmente porque não estudou.

Então para que perder tempo? A vida é curta e estudar é um meio de não ficar para trás. É uma maneira de se conhecer e conhecer o mundo, de transformar o ser único que é você no melhor ser único que você pode ser.

3) Hábito e medida de responsabilidade, um pote de feijões.

Como adquirir um hábito de estudar? Quando se gosta de algo, o hábito de fazê-lo vem naturalmente, mas no caso que estamos tratando aqui, não é uma questão trivial. Suponhamos que a criança tenha entendido a importância dos estudos. Mas entender não significa que ela vá automaticamente se aplicar com disciplina e regularidade.

Para adquirir o hábito, como qualquer hábito, comece de maneira absolutamente mínima. Tão mínima que vai parecer ridículo, à princípio. Para isso, usaremos uma técnica, a do pote de feijões. Funciona assim: fale para o(a) seu(sua) filho(a) que “hoje ele(ela) vai começar os estudos prá valer”, e que vocês vão utilizar um pote (ou um copo) para marcar suas vitórias!

Cada vitória valerá um grão de feijão (pode ser qualquer outra coisa do tipo, boinha de gude, etc). Diga que o pote vai significar a “quantidade de responsabilidade cumprida” ao longo do mês ou de uma etapa. Estabeleçam um nível no pote para atingir um objetivo (calcule isso bem direitinho, para evitar problemas de “injustiça” — demorar muito para encher, etc.), tal que quando o nível estabelecido for atingido, seu(sua) filho(a) possa ganhar o direito de comemorar com algo pré-estabelecido entre vocês (evite totalmente recompensas em dinheiro ou compra de algum produto, mas sim um passeio, um cinema com amigos, uma atividade de interesse mas que não seja muito comum, algo que o(a) motive de fato!).

Para começar, ele(a) vai estudar nesse dia apenas 1 minuto. Isso mesmo, 1 minuto! Não tem como o(a) seu(sua) filho(a) dizer que não vai. Mas diga que só vai valer se ele(a) se concentrar totalmente no estudo durante esse 1 minuto. Cronometre ao seu lado (sem ele(a) ver o relógio) 1 minuto de estudo e mande-o(a) parar assim que cumprí-lo. Não precisará mais estudar nesse dia. Pegue o pote de vidro e peça para o(a) seu(sua) filho(a) colocar um caroço de feijão no pote. No dia seguinte, repita, mas valendo agora 5 minutos. Ele(a) precisa aquirir a sensação de vitória, então comece com pouco tempo mesmo. Vá aumentando o tempo a cada dia, ou vá contando por unidade de tarefa. Estabeleça entre vocês quanto vale cada unidade de feijão. Nos primeiros dias, é necessário você estar presente. Faça ajustes se necessário, mas apenas na primeira semana.

Se o método começar a surtir efeito, estabeleça autonomia ao(a) seu(sua) filho(a), dizendo que confia plenamente nele(a). Diga que daquele momento em diante vocês vão fazer um trato muito importante, que é não trapacear, e que se ele(a) não cumprir as tarefas ou estudos do dia, uma certa quantidade de feijões será retirada. Só você terá acesso ao pote, mas na hora de colocar ou retirar feijões, vocês vão fazê-los sempre juntos, e ele(a) vai explicar por que cada feijão está entrando no pote. Isto significa que ele(a) vai fazer para você um resumo do que aprendeu ou mostrar as tarefas realizadas para poder ter o direito de inserir os feijões.

Ah, uma sugestão é você mesmo ter também o seu pote. Isso mesmo! O pote das suas responsabilidades com o(a) seu(a) filho(a). Que a confiança seja mútua! Pergunte a ele(a) sobre o que deverá ser o pote do pai ou da mãe. Assim poderá se constituir um jogo onde a questão da responsabilidade cumprida pode ser vista concretamente, dos dois lados.

Esvazie o pote a cada final de etapa. Esta técnica é apenas inicial, e serve apenas para tornar algo invisível (responsabilidade) visível (pote de feijões). Não deve ser levada por muito tempo, e sempre deve ser feita uma correlação entre tarefas cumpridas e melhor desempenho nas provas. Caso esta correlação não esteja acontecendo, é possível que o(a) seu(sua) filho(a) esteja passando por reais dificuldades de aprendizado, e não se tratar apenas de falta de estudos. Neste caso, será necessário tomar outras providências.

4) Limites e metas

As crianças precisam de limites. Crianças sem limites bem estabelecidos não crescem de maneira saudável e se tornam adultos instáveis. Estabeleça limites de tempo tanto para brincar como para estudar. Coloque um quadro de avisos marcando os horários de brincar e estudar. Coloque também um espaço para as notas do boletim ficarem expostas. Coloque metas para melhorar as notas, marcando-as com cores específicas para indicar quando uma dada nota caiu ou está abaixo da média, ou, por outro lado, quando obtém uma nota excelente. Faça isto sempre junto com o(a) seu(sua) filho(a). Troquem ideias e discutam estratégias.

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Uma resposta para Seu(sua) filho(a) não quer estudar de jeito nenhum?

  1. Aline disse:

    Para ajudar o seu filho estudar, tem um site com jogos e teoria em diversas disciplinas. Tem vários jogos de matemática, um jogo em que tem que responder as contas rápidas, jogos de conjuntos, jogo para escrever corretamente palavras no ditado e pode até mesmo fazer uma redação para os colegas corrigirem. Muito legal!
    O site é http://www.estudejogando.com.br e ajuda quem tem dificuldade para se concentrar e estudar, porque ensina de forma bem divertida.

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